25 de março de 2015

Meyerhold aaaooooo resgate!

Queria deixar registrado no meu diário a pesquisa que realizamos para hoje sobre Meyerhold. A atividade foi MUITO produtiva para mim. Adorei tê-la feito. Recomendo que seja feita todos os anos, até expandida talvez, pra cada bimestre escrever um resumo de um teórico diferente ou algo assim. =) Foi um TDE super bacana!

Acho que aproveitei a tarefa em especial por que o nosso teórico tem bastante conexão com Stanislavski no início de sua vida e então diverge deste. Como estamos estudando o tio Stan em Interpretação também, foi duplamente interessante fazer as correlações entre um e outro.
Outra razão por qual me animei em escrever este projeto foi porque assisti Tchekhov esses dias no Ave Lola. Não vi ano passado, embora tivesse ganho o Gralha, mas consegui achar tempo pra ver no festival este ano. A peça realmente está maravilhosa, mas falarei mais sobre isto na minha resenha de TDE. O que gostaria de ressaltar aqui foi a surpresa agradável que tive quando os personagens mencionaram Meyerhold em cena! =) É legal quando algo que você está estudando em sala é utilizado fora de aula... reforça a ideia de que é importante aprender "pra vida" e não "pra prova". =D

Sem mais adiamento, eis o nosso resumo sobre Meyerhold e sua técnica corporal para o ator:

Nascido em Penza, Rússia Central, em 1874, Vsevolod Emilevitch Meyerhold foi ator, diretor e teórico do teatro na primeira metade do século XX. Desde sua infância, ficava representando e fazendo poses em frente ao espelho, no entanto Meyerhold não podeia ser considerado um aluno exemplar: reprovou várias vezes, estudou Direito em Moscou, nas galerias superiores, e abandonou a carreira jurídica para inserir-se na escola dramática. O artista passou a ser um dos principais encenadores do século XX devido à sua vasta gama de experimentos teatrais, entre eles o estudo de matrizes, o desenho experimental, a composição paradoxal, e o grotesco; no entanto, tornou-se mais reconhecido devido ao seus exercícios de pré-interpretação, conhecidos como o sistema da biomecânica.
No início de sua carreira artística, Meyerhold participou do Teatro de Arte de Moscou entre 1898 e 1902, destacado-se como ator na companhia de Konstantin Stanislavski e Vladimir Nemirovick. Em 1904, Meyerhold foi convidado por Stanislavski para dirigir, em conjunto com ele, o Teatro-Estúdio, anexo do Teatro de Arte para fins experimentais. “Ambos queriam experimentar novas possibilidades expressivas, necessidade esta gerada sobretudo em função dos desenvolvimentos presentes em outras formas de arte. O eixo de suas experimentações foi de textos simbolistas.” (BONFITTO, 2013, p. 38) No entanto, no ano seguinte, Meyerhold se distanciou de Stanislavski por motivos de divergências ideológicas acentuadas. Segundo Guinsburg, “Se para o mestre da vivência [Stanislavski] o indivíduo psicológico e social é o centro de todas as coisas, para o mestre da biomecânica esta centralidade é deslocada para uma trans-individualidade dos poderes inefáveis ou das forças físicas ou de produção.” (1973, p.89 apud BONFITTO, 2013, p.40).
Em divergência com seu mestre, Meyerhold buscou estudar os teatros do passado como fundamento para compor sua teoria. Pesquisou, por exemplo, teatro Kabuki, Commedia dell’arte, teatros de feira, entre outros. “Meyerhold, negando o naturalismo experimentado no Teatro de Arte de Moscou para buscar construir uma identidade estética específica para o teatro, reconhece na ‘inverossimilhança convencional’ de Púschkin, um caminho seguro para o resgate de tal identidade, ou seja, de teatralidade.” (BONFITTO, 2013, p.40) Ele nomeou de matrizes todas essas referências artísticas - sejam elas teatrais ou não, tal como a música, as artes visuais, etc - que seriam vistas como “linguagens” para a contrução de sua prática teatral. Procura explorar por meio das matrizes, separadas em categorias, as possibilidades da relação entre música e gesto, assim como da utilização de objetos, figurino, luz, construção do espaço, uso da palavra e funções das personagens.
Meyerhold também teoriza a importância do desenho do movimento: “os gestos, as atitudes, os olhares, os silêncios estabelecem a verdade das relações humanas; as palavras não dizem tudo. Torna-se necessário, portanto, um desenho de movimentos para situar o espectador na posição de observador perspicaz.” (idem, p.41). O diretor, portanto, não se limita ao texto verbalizado pelo ator e inicia uma teoria própria de movimento para melhor expressividade do ator.  Meyerhold também faz uso do conceito da composição paradoxal, por meio do qual busca capturar de maneira mais acentuada a atenção do público para obter um efeito desejado. Desenvolve certa ideia - um movimento ou palavra - por explorar o seu oposto .
Meierhold utilizava o grotesco como um método que se utilizava exageração e a transformação intencional para alterar dados naturais.

“Na esfera do grotesco, substituir a solução de uma composição pronta por uma completamente oposta, ou então aplicar procedimentos conhecidos e aceitos na representação de objetos opostos ao objeto que fixou tais procedimentos, chama-se paródia [...] O que é essencial no grotesco é o modo constante com o qual ele desloca o espectador de um plano perceptivo que acabou de intuir, para um outro que ele não esperava.” (MEYERHOLD, 1993, p.84. apud BONFITTO, 2013, p.42)

        O grotesco, cataliza o processo de Meyerhold criar uma linguagem para o ator. Esse conceito dá unidade às pesquisas, como um “denominador comum” para o estudo das diferentes matrizes e formas teatrais que estudou. (BONFITTO, 2013, p.4) Por exemplo, Meyerhold faz uma comparação de seu metodo com um termo impregado em seu artigo “Balagan”, que em russo seria comparável a um quermesse, similar às da idade média, como feira de variedades onde se apresentavam aberrações, tal qual a “mulher barbada”. (MEYERHOLD, 2012, p.216)
Meyerhold também desenvolve uma preparação para o ator chamada de pré-interpretação, um estudo da biomecânica. Este estudo envolve tanto o corpo quanto o cérebro: transformava a matéria física do ator em ferramenta, como uma marionete a serviço da mente. Nesta etapa de sua pesquisa, ele volta a utilizar o gestuário da Commedia dell’arte e dos atores orientais. A pesquisa também constitui uma exploração das diferentes possibilidades de relação entre movimento e palavra e a importância do ritmo. Há uma busca por um “racionalismo estéril”, uma “pantomima essencial”, uma tentativa de enxugar os movimentos e deixar apenas a cerne fundamental para uma cena. De acordo com seu estudo, todo movimento é composto de intenção, equilíbrio e execução. A teoria se baseia no bom estádo físico e concentração do ator e na harmonia entre todos seus recursos e reserva de ações, atitudes e poses. (TSGALI, 1989). Portanto, o gesto executado em cena pelo ator é resultado final de uma prática anterior, de uma reserva técnica e de um processo mental.
Em meados dos anos 30, as experimentações artísticas de Meyerhold se tornaram contra ele. Após as autoridades da União Sovietica fechar seu teatro em 1938, Meyerhold foi preso em 1939 e fuzilado em 1940.





Referências Bibliográficas

BONFITTO, Matteo. “O Ator-Compositor.” 3. ed. São Paulo: Perspectiva, 2013.

MEYERHOLD, Vsévolod Emilevich. Do Teatro. Tradução de Diego Moschkovich. São Paulo: Iluminuras,2012.

TSGALI, M. Koreniev,, tradução de Béatrice Picon-Vallin e Roberto Mallet, in Buffonneries, nº 18-19 - Exercise (s) - Le Siècle Stanislavski, Lectoure, 1989, pág. 215-219. Acesso em 25-03-2015: <http://www.grupotempo.com.br/tex_biomecanica
.html>

"Vsevolod Meyerhold." Early Twentieth Century Russian Drama. Northwestern University. Acesso em 25-03-2015: <http://max.mmlc.northwestern.edu/mdenner/

Drama/directors/1meyerhold.html>

Gostaria também de deixar o link para a nossa apresentação de slides, que contém imagens e citações que não tem no resumo. =)

18 de março de 2015

Matrizes, by Meyerhold

Boa tarde, Meyerhold, e muito obrigada a me inspirar a escrever no meu diário hoje. 

Outro dia, eu estava assistindo Her (2014) por Spike Jonze e reconheci uma música. =) A música que o professor usa durante a aula, no aquecimento ou as vezes durante a gota! Adorei a sensação de reconhecer a música ao ver o filme: "A MÚSICA DO JÚLIO!!!!" =O Além do mais ela é por uma banda que eu adoro, Arcade Fire, e que eu nem sabia que tinha feito a trilha sonora deste filme.  

O que isso tem a ver com o CONTEÚDO da aula e Meyerhold? Como minh pesquisa TDE é sobre Meyerhold, estou com essa informação fresquinha na cabeça. Bem, no início de sua carreira, Meyerhold estudou formas de teatro de antigamente e outras obras de arte. Ele nomeou de matrizes todas essas referências artísticas - sejam elas teatrais ou não, tal como a música, as artes visuais, etc - que seriam vistas como “linguagens” para a contrução de sua prática teatral. De certa forma, essa música entrou no nosso repertório de matrizes, pois ela nos ajudou a compor movimentos em sala de aula. Mesmo que não usamos ela como sonoplastia de nenhuma apresentação, ela faz parte - mesmo que indiretamente - do nosso processo de desenvolvimento e é portanto, uma matriz, um recurso artístico. =)

Além do mais... Me senti super detetive agora, encontrando a música. (mesmo sem querer)

Ah! E o filme também é ótimo. Para os leitores do blog, que eu não sei quem são, mas sei que existem por causa do Google Analytics... recomendo-o fortemente! É interessante para amantes de ficção científica ou drama ou ambos, pois abre ótimos questionamentos sobre a tecnologia e relacionamentos. =D

11 de março de 2015

Movimento - Emoção


Creio que explorar movimentos (empurrar, pivô, rotação...) eu certa parte do corpo foi uma das atividades que mais gostei de fazer até agora. Uma das sensações que tive é a dificuldade de desassociar movimentos com emoções - especialmente com relação à mão. Não sei se é porque utilizamos as mãos tanto ao falar e ao nos comunicar que somos acostumas a usá-las como fonte para tirar conclusões. 

Quando estava fazendo a atividade, senti que os movimentos que focam o "arrastar" e que tem uma qualidade mais forte/pesada me passam agonía... algo que alguem com algum distúrbio psicológico faria. Já os movimentos do pé, especialmente quando trabalhamos o equilíbrio (ou o desquilíbrio) com a "rotação" por diferentes partes do pé, me remeter a imagem de um bêbado. 

Comentei sobre uma imagem em sala de aula de um personagem de uma peça. Não sei qual que era, mas esbarrei com ela na internet porque estava fazendo uma pesquisa de imagens para uma apresentação para os alunos com quem trabalho sobre teatro físico. Embora, no meu próprio corpo, tivesse sentido mais emoção pelos movimentos da mão, o que me chamou atenção no ator foi o pé dele.

Acho interessante as direfentes maneiras e métodos que existem de constuir um corpo para um personagem. Creio que iremos abordar isso nos TDEs... mas gostaria de comentar brevemente.

Em Interpretação I trabalhamos apenas com Stanislavski e tenho dificuldade em apenas encorporar o psicológico e "deixar que os movimentos venhas e o corpo tome forma". Tenho mais facilidade e gosto mais de manipular o corpo ativamente para causar uma efeito na platéia. Estou curiosa pra ver a abordagem que o prof. terá nas aulas. ;)


4 de março de 2015

Sobre cíclos de aprendizagem e acquisição de conhecimento




Estive pensando bastante nas últimas semanas como todo o conteúdo que aprendi, descuti, criei no primeiro ano na PUC - não só nas aulas corporais, mas em todas as matérias. Acho que uma coisa que está sendo muito benéfica pro meu crescimento como aluna-atriz-pessoa é a experiencia em sala de aula. O ensino exige uma habilidade de síntese e uma capacidade de escolher o que é "relevante" ou mais importante para saber o que focar com os alunos, o que cobrar deles.

Essa habilidade de sintetizar não vem de mão beijada, pois é preciso ter um entendimento mais aprofundado do conteúdo. Embora eu seja uma aluna satisfatória (não tenho notas abaixo da média e tudo isso...), tenho dificuldade em lembrar os termos e a sequência de coisas que fizemos. O meu diário e caderno do dia-a-dia tem sido preciosíssimos para mim nas últimas semanas. Mas creio que isso seja normal. =) Que eu não sou um alienígena com amnésia. 

Minha sensação é que toda vez que revisitamos um conteúdo ou conhecimento, temos outras referências: um olhar mais íntimo ou mais amplo que diretamente afeta nossa capacidade de análise e síntese. Então, ao invés de um modelo de aquisição de conhecimento linear ou até mesmo circular, gostei muito da imagem que achei na internet que representa o caminho ao conhecimento com uma espiral tridimensional.

Creio que não foi mera coincidência o professor revisitar na aula passada o conteúdo que cobrimos na ano anterior (mas o sentimento de "Caramba! Era exatamente isso que eu precisava." não deixou de ser uma boa surpresa). Foi ótimo ter repassado a ordem que cobrimos em toda a aula, mas agora com um olhar mais aprofundado - considerando o "porque" de cada item.

Vou tentar relembrar os itens do aquecimento aqui - provavelmente irei errar algum termo ou outro, mas não tive tempo de copiar em sala de aula. Mas quarta que vem eu verifico com algum colega e corrijo. 

- Centramento
- Respiração?
- Expansão axial - Postura
- Trabalho articulatório
- Aumento do rítmo cardíaco
- ...

Aaaah! Eu esqueci! Não vale. Pode deixar que na próxima porstagem eu volto a colocar a lista. Viu? Mais uma oportunidade de um cíclo na espiral. =) 

17 de novembro de 2014

Prova: O Espaço (de trabalho)

A nossa cena foi baseada na ideia da repetitividade do cotidiano no trabalho. Buscamos trabalhar com movimentos controlados durante a parte em que estavamos todos trabalhando. Nesta parte, fazemos todos os mesmos movimentos:

- Andamos utilizando um movimento contalateral, alternando braços e pernas nas posições "frente-baixa" e "trás-baixa".
- Paramos em posição neutra. E então movemos o braço direito, utilizando a ação básica "empurrar". Paramos com o braço para a direita, direita-frente, frente, frente-alta (como na saudação nazista). Então esquemos o braço esquerdo na mesma posição e dobramos e esticamos os joelhos. Estes movimentos são arcados.
- Voltamos à posição neutra. Então juntamos as mãos na frente do tórax e mantemos os cotovelos voltados para fora. Alternamos crescer e diminuir na vertical.
- Retornamos ã posição neutra e "bate o sinal".

Nesta hora, os trabalhadores param os movimentos mecânicos e começam a se mexer de forma mais flúida, orgânica. Eles se interagem, como se estivessem no intervalo do "cafézinho" e começam a se comportar como animais, simbolizando o lado selvagem que temos. Cada um expressa seu "bicho" de uma forma:


Julia:
MOVIMENTO HOMÓLOGO:
CINESFERA PEQUENA na parte superior
CINESFERA GRANDE na parte inferior
        DIREÇÃO das pernas: esquerda-baixo e direita-baixo
NÍVEL: ALTO-MÉDIO


Então retornamos ao primeiro padrão, repetindo os movimentos mecânicos, de trabalho. As ações terminam mais uma vez em um sinal, quando os trabalhadores se despedem, de forma fluida e orgânica e voltam para casa.


10 de novembro de 2014

As direções e linguagem de semáfora

Uma coisa a qual me remeteu a aula de hoje, a utilização das diferentes direções, é a linguagem de semáfora. 


"A semáfora é um sistema óptico de sinalização baseado nas diversas posições que duas bandeirolas coloridas podem assumir quando empunhadas pelo transmissor. Na terminologia semafórica, cada caractere (que pode ser uma letra, um numeral ou um sinal de serviço) é representado por uma posição diferente das bandeirolas, formando, assim, um alfabeto próprio." Fonte: http://acampamento.wikidot.com/semafora

Aprendi a usar a semáfora quando estava no escoteiro. E os movimentos que estávamos explorando em sala de aula me lembraram isso imediatamente. A letra A, por exemplo, se faz com o braço direito para a direita-baixa e o esquerdo para baixo. A letra B se faz com o braço direito para a direita e o esquerdo para baixo.

Uma coisa interessante da semáfora é que se vê o oposto do que está sendo feito. Tem que se saber ler de frente, mas tem que se pensar o contrario para fazer corretamente, como ler e escrever braile. =)

3 de novembro de 2014

Teatro no Ensino Médio

No dia 03/11 tive que faltar a aula, pois precisava terminar os preparos para o meu projeto de pesquisa, que foi realizado no dia seguinte em um colégio público no centro. 

Dei uma aula de história usando elementos teatrais. Achava que os alunos seriam mais desenvoltos do que foram. Precebe-se o quão importante é todo o processo que temos com o corpo - nas aulas de movimento, de linguagem corporal, e improviso - para o desenvolvimento e criação de novos padrões de movimento. Senão, mesmo que dado a oportunidade de inovar ou de sair do cotidiano, sempre faremos os mesmos movimentos, as mesmas ações. =(